segunda-feira, 29 de julho de 2013

To Save a Life (2009)

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Salvar uma Vida de Brian Baugh é um pequeno e simpático filme que nos conta a história de Jake Taylor (Randy Wayne), um jovem adolescente de quem todos gostam e querem ter por perto. Tem a vida perfeita, as amizades perfeitas, a namorada perfeita, é campeão de basketball e prepara-se para vencer uma bolsa de estudos para uma reputada universidade.
No entanto, quando Roger (Robert Bailey Jr.) um seu antigo amigo de infância e de quem Jake se afastou, comete suicídio na escola em frente a todos os alunos, este último começa a ponderar sobre a sua vida e as escolhas que o levaram até este momento e a afastar-se tão drasticamente daquele que fora em tempos o seu melhor amigo e de que forma o poderia ter ajudado caso essa separação não tivesse ocorrido.
Quando conhece Chris (Joshua Weigel), um conselheiro juvenil, este alerta Jake sobre a sua necessidade de se encontrar e de como o tornar-se cristão o irá auxiliar nesta auto-descoberta. É então que num misto de revolta, impotência e de encontrar toda a vida à sua volta a desmoronar-se rapidamente que Jake irá finalmente perceber o que o fará encarar o futuro de uma forma mais positiva e tranquila.
O argumento que Jim Britts escrever consegue um misto de reacções que são sentidas durante todo o filme, ou seja, se por um lado consegue escapar habilmente ao tradicional filme adolescente norte-americano mesmo que, a dado ponto, retenha muitos tiques do referido sub-género, não é menos verdade que quando os faz denotar eles ganham uma proporção relevante para aqueles que de nós pensam nos seus tempos de liceu onde muitas vezes olhávamos (ou éramos olhados) como aquele "tipo estranho" de quem ninguém queria estar muito próximo e, como tal, pensamos nos problemas que atormentam tantos que connosco se cruzam e aos quais damos relativamente pouca atenção.
Ao mesmo tempo Jim Britts faz-nos ter uma percepção quase incomodativa quando aproxima esta história de uma certa propaganda religiosa que não faz sentido para um filme que pretende essencialmente retratar aspectos mais problemáticos de uma vida escolar como o bullying, a exclusão e acima de isso as suas consequências imediatas que quase sempre estão relacionadas com o suicídio juvenil. No entanto, e em abono da verdade, é justo dizer que a tal propaganda religiosa surge apenas em momentos pontuais do filme, apesar de estar sempre presente ao fundo, e que na sua essência a história mantém-se fiel ao princípio de retratar a vida de um jovem que independentemente de ter tudo ao seu alcance e a sua própria vida "preparada" para sempre resolve, como fruto de um trágico acontecimento, parar e ponderar sobre as suas escolhas, a sua vida actual e perceber que essa tem problemas suficientes por resolver que o impedem logo de imediato considerar como será um futuro que ainda vem longe.
Ao mesmo tempo que faz reflexões sobre o presente, o "Jack" que Randy Wayne tão bem compõe, vive também os seus pequenos problemas de adolescente. A aceitação por parte dos seus pares entre os quais quer manter uma certa liderança que lhe foi entregue e não conquistada, uma boa relação com a namorada mimada que vive centrada nela própria e nos seus problemas imaginários e com um lar aparentemente desfeito que condicionam em boa medida todas as suas decisões sobre o tal futuro que espera para si. A morte do seu melhor amigo agora um estranho que, como tantos outros, ignorava nos corredores da escola que ambos frequentavam, fá-lo questionar quem será ou serão todas aquelas pessoas que anónimas no mesmo espaço que frequenta podem determinar a segurança física e psicológica de cada um bem como ser alvo das maiores atrocidades que sofrem em silêncio sem que ninguém alguma vez se preocupe ou repare que elas (as pessoas) existem. E é aqui que felizmente este filme consegue ser muito bem sucedido e fazer passar a sua mensagem para aqueles que se dão ao trabalho de o ver sem o encarar como "mais um filme adolescente" onde as bebidas, o sexo e a gozação diária são o elemento chave.
Destaco ainda a interpretação de Joshua Weigel como o conselheiro juvenil que a certo ponto se encontra ele próprio com o dilema de conseguir (ou não) escutar todos aqueles jovens que se aproximam dele, numa clara abordagem à incapacidade que todos nós poderemos ter para com uma fragilidade de alguém que se encontra ao nosso lado e que passe sem que dela demos conta.
Não temos aqui um filme brilhante capaz de rivalizar com grandes produções que primam não só pelas suas histórias coerentes como também pelo conjunto de actores que conseguem ter no seu elenco, no entanto não é demais referir que consegue ser um filme sólido, consistente e com uma importante mensagem para passar e que felizmente, mesmo com os seus óbvios defeitos ou fragilidades, consegue fazer chegar ao espectador o seu essencial através das interpretações de um conjunto de personagens interpretadas com alguma alma e dedicação.
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"Chris Vaughn: Life is a journey, not so much to a destination, but a transformation."
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8 / 10
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